Dezenas de manifestantes e 13 policiais morrem em protestos no Cazaquistão
Rússia e outros países próximos enviaram tropas ao Cazaquistão, que vive onda de protestos contra o aumento no preço dos combustíveis que culminou na derrubada do governo.
Carro incendiado em frente ao prédio da Prefeitura de Almaty, no Cazaquistão, que foi destruída durante protestos desencadeados pelo aumento do preço dos combustíveis, em 6 de janeiro de 2022
Dezenas de manifestantes e 13 agentes de segurança morreram em confrontos no Cazaquistão, país que vive uma onda de manifestações que culminou na queda do governo. Segundo a TV estatal, dois policiais foram decapitados.
A população atacou prédios públicos em Alamy, a maior cidade do país, e as forças de segurança não conseguiram controlar os protestos nem mesmo após o governo voltar atrás do aumento dos combustíveis que originou a revolta popular.
Cerca de 2 mil pessoas foram detidas apenas em Alamy, segundo o Ministério do Interior. Os protestos já são os maiores desde a independência do país em 1991, quando a União Soviética entrou em colapso.
O presidente Kassym-Jomart Tokayev já havia declarado na terça-feira (6) estado de emergência e um toque de recolher, que não foram respeitados. Ele também prometeu sem sucesso abaixar o preço dos combustíveis para "garantir a estabilidade no país".
Os protestos explodiram no domingo (2), após o governo dobrar o preço do gás GLP e de outros combustíveis no dia anterior, e se espalharam pelo país. Eles também passaram a refletir outras insatisfações da população com a política e com o governo.
Em meio aos distúrbios violentos, a Rússia anunciou nesta quinta-feira (6) o envio de uma "força de paz" que inclui militares de Armênia, Belarus, Quirguistão e Tadjiquistão, países que integram a OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coleta) junto com o Cazaquistão.
Um comunicado da OTSC diz que o principal objetivo dos soldados "será a proteção de importantes instalações estatais e militares e auxiliar as forças da lei e da ordem (...) na estabilização da situação".
O Cazaquistão
O Cazaquistão é o 9º país do mundo em extensão territorial, mas tem uma população relativamente pequena, de 18,8 milhões de habitantes.
Rico em petróleo e gás, a ex-república soviética é o país mais influente da Ásia Central, responsável por 60% do GLP da região.
O país se tornou independente em 1991, com o colapso da União Soviética, e tem um governo considerado autoritário.
