Tropas russas cometem “crime contra a humanidade” em Mariupol, diz Zelensky
Presidente ucraniano discursou nesta terça (29) ao parlamento dinamarquês
Placa delimita cidade portuária de Mariupol, que fica nos limites do mar de Azov, na Ucrânia. Ao fundo, fumaça de bombardeios na cidade, que é alvo da Rússia desde o início da guerra empreendida pelo país
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou as ações da Rússia na cidade de Mariupol como “crime contra a humanidade” nesta terça-feira (29), enquanto discursava para o parlamento dinamarquês por uma chamada de vídeo.
“A cidade de Mariupol está bloqueada pelo exército russo e mais de 100 mil pessoas continuam lá. Elas têm que derreter neve para obter água, não há condições de entregar ajuda humanitária — tudo é bloqueado. Mais de 90% dos edifícios foram destruídos”, disse. “O que as tropas russas estão fazendo em Mariupol é um crime contra a humanidade”.
As declarações do presidente ocorreram no mesmo momento em que uma nova rodada de negociações com delegações de ambos países ocorria na Turquia.
Zelensky também declarou que “a intensidade e brutalidade das ações militares chegou ao nível mais alto do que a Segunda Guerra Mundial” e que o objetivo da guerra seria “destruir a base para uma vida normal na Ucrânia”.
O presidente ucraniano pediu ainda para que a Europa aumente as sanções contra a Rússia, bloqueando o comércio, interrompendo a compra de petróleo e fechando portos para navios russos, e pediu que tanto os governos quanto as empresas ajudem na reconstrução de seu país quando eles obtiverem “a vitória”, mencionou.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, nega atacar civis e culpa a Ucrânia por repetidos fracassos para se chegar a um acordo sobre corredores humanitários seguros para moradores presos.
No caso de Mariupol, a cidade portuária é vista como estratégica para os invasores russos criarem uma ponte entre a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, e dois enclaves separatistas no leste da Ucrânia.
*Com informações da Reuters
